Assim, nossa percepção exterior é um sonho de dentro que se encontra em
harmonia com as coisas de fora; e, ao invés de dizer que alucinação é uma
percepção exterior falsa, é preciso dizer que a percepção é uma alucinação
verdadeira (p. 13)54
TAINE, Hyppolite. (1870) De l’intelligence. Tome Premier. Paris, Librarie Hachette,
1892a. Disponível em www.gallica.bnf.fr
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quarta-feira, 2 de outubro de 2019
Aqui estou antes de lançar minha 'Causa Freudiana'; sou freudiano; por isso, creio ser bem-vindo lhes dizer algumas palavras sobre o debate que mantenho com Freud há algum tempo; vou lhes resumir
isso.
[...] Pois bem, meus três não são os de vocês. Meus três são o real, o simbólico e o imaginário. Situei-os numa topologia – a do nó dito borromeano, o qual coloca em evidência a função do ao-menos-três:
aquele um ata os outros desatados. Dei isso aos meus; dei-lhes para que o reencontrem na prática – mas será que o reencontrarão melhor do que na tópica legada por Freud aos seus?
[...]É preciso dizê-lo: o que Freud esboçou com sua tópica (dita segunda) é muito desajeitado; imagino que era para se fazer entender, dados os limites de seu tempo; mas, de preferência, não podemos nos
aproveitar do que lá é representado, aproximando-o de meu nó?
Lacan, J. Seminário de Caracas, 1980
isso.
[...] Pois bem, meus três não são os de vocês. Meus três são o real, o simbólico e o imaginário. Situei-os numa topologia – a do nó dito borromeano, o qual coloca em evidência a função do ao-menos-três:
aquele um ata os outros desatados. Dei isso aos meus; dei-lhes para que o reencontrem na prática – mas será que o reencontrarão melhor do que na tópica legada por Freud aos seus?
[...]É preciso dizê-lo: o que Freud esboçou com sua tópica (dita segunda) é muito desajeitado; imagino que era para se fazer entender, dados os limites de seu tempo; mas, de preferência, não podemos nos
aproveitar do que lá é representado, aproximando-o de meu nó?
Lacan, J. Seminário de Caracas, 1980
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
Multiplicidade e Duração
É, por estes cristais bem recortados e este congelamento superficial, uma
continuidade que se escoa de maneira diferente de tudo o que já vi
escoar-se. É uma sucessão de estados em que cada um anuncia aquele
que o segue e contém o que o precedeu. A bem dizer, eles só constituem
estados múltiplos quando, uma vez tendo-os ultrapassado, eu me volto
para observar-lhe os traços. Enquanto os experimentava, eles estavam tão
solidamente organizados, tão profundamente animados com uma vida
comum, que eu não teria podido dizer onde qualquer um deles termina,
onde começa o outro. Na realidade, nenhum deles acaba ou começa, mas
todos se prolongam uns nos outros (BERGSON, 1974, p. 22).
Bergson, segundo Deleuze (1989, p. 29), chega à noção de multiplicidade qualitativa não somente por oposição à multiplicidade numérica, mas a partir da distinção entre sujeito e objeto. O objeto é aquele que pode ser dividido infinitas vezes, sem se desnaturar, conseqüentemente, um objeto ao dividir-se somente muda de grandeza, não muda de natureza. Este objeto será chamado, então, de multiplicidade numérica, porque segue o modelo do número que se divide sem mudar de natureza. Mesmo que estas divisões não cheguem a se realizar, mas somente sejam pensadas como possíveis, o aspecto total do objeto não muda, pois somente o seu grau varia. Por outro lado, podemos pensar um tipo de "divisão" da duração psicológica ocorrendo no sujeito, num sentido metafórico e não espacial de divisão. A vida psíquica, apesar de contínua, é múltipla em seus aspectos, portanto, e de certa forma, divide-se para formar uma multiplicidade. Entretanto, esta divisão é muito especial porque a duração ao dividir-se muda de natureza; se não mudasse permaneceria homogênea e seria, então, uma multiplicidade numérica. A verdadeira duração é heterogênea e a cada divisão podemos no momento considerá-la como indivisível. Nesta divisão, que na realidade é uma mudança essencial, surge "o outro" sem que com isto venham a existir "muitos" no sentido numérico, porque os "muitos" estados fundem-se num só e cada novo estado de consciência toma conta da alma inteira, resultando num mesmo e único estado que dura. Assim, a multiplicidade qualitativa consegue conciliar características aparentemente divergentes da duração psicológica: a heterogeneidade e a continuidade.
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
The post-orgasmic prolactin increase following intercourse is greater than following masturbation and suggests greater satiety
The post-orgasmic prolactin increase following intercourse is greater than following masturbation and suggests greater satiety
Introduction.
Previous multivariate research found that satisfaction was associated positively with frequency of
specifically penile–vaginal intercourse (PVI; as opposed to other sexual activities) as well as with vaginal orgasm. The contribution to satisfaction of simultaneous orgasm produced by PVI merited direct examination in a large representative sample.
Brody S and Weiss P. Simultaneous penile–vaginal intercourse orgasm is associated with satisfaction (sexual, life, partnership, and mental health). J Sex Med 2011;8:734–741.
Abstract
Research indicates that prolactin increases following orgasm are involved in a feedback loop that serves to decrease arousal through inhibitory central dopaminergic and probably peripheral processes. The magnitude of post-orgasmic prolactin increase is thus a neurohormonal index of sexual satiety. Using data from three studies of men and women engaging in masturbation or penile–vaginal intercourse to orgasm in the laboratory, we report that for both sexes (adjusted for prolactin changes in a non-sexual control condition), the magnitude of prolactin increase following intercourse is 400% greater than that following masturbation. The results are interpreted as an indication of intercourse being more physiologically satisfying than masturbation and discussed in light of prior research reporting greater physiological and psychological benefits associated with coitus than with any other sexual activities.
Stuart Brody, Tillmann H.C. Krugers. Brody, T.H.C. Kruger / Biological Psychology 71 (2006) 312–315
Simultaneous Penile–Vaginal Intercourse Orgasm is Associated with Satisfaction (Sexual, Life, Partnership, and Mental Health)Introduction.
Previous multivariate research found that satisfaction was associated positively with frequency of
specifically penile–vaginal intercourse (PVI; as opposed to other sexual activities) as well as with vaginal orgasm. The contribution to satisfaction of simultaneous orgasm produced by PVI merited direct examination in a large representative sample.
Aims.
To examine the associations of aspects of satisfaction (sexual, life, own mental health, partner relationship) with consistency of simultaneous orgasm produced by PVI (as well as with PVI frequency and vaginal orgasm consistency).
To examine the associations of aspects of satisfaction (sexual, life, own mental health, partner relationship) with consistency of simultaneous orgasm produced by PVI (as well as with PVI frequency and vaginal orgasm consistency).
Methods.
A representative sample of Czechs (N=1,570) aged 35–65 years completed a survey on aspects of
satisfaction, PVI frequency, vaginal orgasm consistency, and consistency of simultaneous orgasm produced by PVI (the latter being a specially timed version of vaginal orgasm for women).
A representative sample of Czechs (N=1,570) aged 35–65 years completed a survey on aspects of
satisfaction, PVI frequency, vaginal orgasm consistency, and consistency of simultaneous orgasm produced by PVI (the latter being a specially timed version of vaginal orgasm for women).
Main Outcome Measures.
Analysis of variance of satisfaction components (LiSat scale items) from age and the
sexual behaviors.
Analysis of variance of satisfaction components (LiSat scale items) from age and the
sexual behaviors.
Results.
For both sexes, all aspects of satisfaction were associated with simultaneous PVI orgasm consistency and with PVI frequency (except female life satisfaction). All aspects of satisfaction were also associated with vaginal orgasm consistency. Multivariate analyses indicated that PVI frequency and simultaneous orgasm consistency make independent contributions to the aspects of satisfaction for both sexes.
For both sexes, all aspects of satisfaction were associated with simultaneous PVI orgasm consistency and with PVI frequency (except female life satisfaction). All aspects of satisfaction were also associated with vaginal orgasm consistency. Multivariate analyses indicated that PVI frequency and simultaneous orgasm consistency make independent contributions to the aspects of satisfaction for both sexes.
Conclusions.
For both sexes, PVI frequency and simultaneous orgasm produced by PVI (as well as vaginal orgasm
for women) are associated with greater life, sexual, partnership, and mental health satisfaction. Greater support for these specific aspects of sexual activity is warranted.
For both sexes, PVI frequency and simultaneous orgasm produced by PVI (as well as vaginal orgasm
for women) are associated with greater life, sexual, partnership, and mental health satisfaction. Greater support for these specific aspects of sexual activity is warranted.
Brody S and Weiss P. Simultaneous penile–vaginal intercourse orgasm is associated with satisfaction (sexual, life, partnership, and mental health). J Sex Med 2011;8:734–741.
segunda-feira, 2 de setembro de 2019
Mas, contra essa ideia da originalidade e da imprevisibilidade absolutas das formas, toda nossa inteligência se insurge. Nossa inteligência, tal como a evolução da vida a modelou, tem por função essencial iluminar nossa conduta, preparar nossa ação sobre as coisas, prever, com relação a uma situação dada, os acontecimentos favoráveis ou desfavoráveis que podem se seguir. Instintivamente, portanto, isola em uma situação aquilo que se assemelha ao já conhecido; procura o mesmo, a fim de poder aplicar seu princípio segundo o qual "o mesmo produz o mesmo". Nisso consiste a previsão do porvir pelo senso comum. A ciência leva essa separação ao mais alto grau possível de exatidão e precisão, mas não altera seu caráter essencial. Como o conhecimento usual, a ciência retém das coisas apenas o aspecto repetição. Se o todo é original, arranja-se de modo a analisá-lo em elementos ou em aspectos que sejam aproximadamente a reprodução do passado. Só pode operar sobre aquilo que presumidamente se repete, isto e, sobre aquilo que, por hipótese, está subtraído à ação da duração. Escapa-lhe o que há de irredutível e de irreversível nos momentos sucessivos de uma história. Para representar-se essa irredutibilidade e essa irreversibilidade, é preciso romper com hábitos científicos que respondem as exigências fundamentais do pensamento, fazer violência ao espírito, escalar de volta a inclinação natural da inteligência.
Bergson. Henri. A Evolução Criadora: tradução Bento Prado, Martins Fonte, São Paulo, 2005. p32
Compreende-se que um tema lírico percorra toda a obra de Bergson: um verdadeiro canto em louvor ao novo, ao imprevisível, à invenção, à liberdade. Não há aí uma renúncia da filosofia, mas uma tentativa profunda e original para descobrir o domínio próprio da filosofia, para atingir a própria coisa para além da ordem do possível, das causas e dos fins. Finalidade, causalidade, possibilidade estão sempre em relação com a coisa uma vez pronta, e supõem sempre que "tudo" esteja dado. Quando Bergson critica essas noções, quando nos fala em indeterminação, ele não nos está convidando a abandonar as razões, mas a alcançarmos a verdadeira razão da coisa em vias de se fazer, a razão filosófica, que não é determinação, mas diferença. Encontramos todo o movimento do pensamento bergsoniano concentrado em Matéria e Memória sob a tríplice forma da diferença de natureza, dos graus coexistentes da diferença, da diferenciação. Bergson nos mostra inicialmente que há uma diferença de natureza entre o passado e o presente, entre a lembrança e a percepção, entre a duração e a matéria: os psicólogos e os filósofos falharam ao partir, em todos os casos, de um misto mal analisado. Em seguida, ele nos mostra que ainda não basta falar em uma diferença de natureza entre a matéria e a duração, entre o presente e o passado, uma vez que toda a questão é justamente saber o que é uma diferença de natureza: ele mostra que a própria duração é essa diferença, que ela é a natureza da diferença, de modo que ela compreende a matéria como seu mais baixo grau, seu grau mais distendido, como um passado infinitamente dilatado, e compreende a si mesma ao se contrair como um presente extremamente comprimido, retesado. Enfim, ele nos mostra que, se os graus coexistem na duração, a duração é a cada instante o que se diferencia, seja porque se diferencia em passado e em presente ou, se se prefere, seja porque o presente se desdobra em duas direções, uma em direção ao passado, outra em direção ao futuro. A esses três tempos correspondem, no conjunto da obra, as noções de duração, de memória e de impulso vital.
Deleuze, Gilles. Bergsonismo; tradução de
Luiz B. L. Orlandi. - São Paulo: Ed. 34, 1999
Enfim, a consciência e essencialmente livre; é a própria liberdade; mas não pode atravessar a matéria sem se pousar sobre ela, sem se adaptar a ela: essa adaptação é o que se chama intelectualidade; e a inteligência, voltando-se para a consciência atuante, isto é, livre, a faz naturalmente entrar nos quadros nos quais costuma ver a matéria se inserir. Perceberá portanto sempre a liberdade sob a forma de necessidade; sempre negligenciará a parte de novidade ou de criação inerente ao ato livre, sempre substituirá a ação mesma por uma imitação artificial, aproximativa, obtida compondo o antigo como antigo e o mesmo como mesmo. Assim, aos olhos de uma filosofia que se esforça para reabsorver a inteligência na intuição, muitas dificuldades se desvanecem ou se atenuam. Mas uma tal doutrina não facilita apenas a especulação. Dá-nos também mais força para agir e para viver.
Bergson. Henri. A Evolução Criadora: tradução Bento Prado, Martins Fonte, São Paulo, 2005. p292
Que tipo de faculdade permitiria ao homem ultrapassar o plano da adaptação? Qual é a fonte da sua abertura excepcional à incógnita absoluta dos objetos virtuais? Em que escarpa virtuosa realiza-se o triunfo sobre o mecanismo e a necessidade? Como o compasso acertado entre a inteligência e a atividade funcional se dobra a plasticidade de uma forma imprevisível? De que modo a linha do homem se mostra capaz de “baralhar os planos”, dando passagem ao impulso vital que lhe atravessa no rumo de uma “direção aberta”?
Que tipo de faculdade permitiria ao homem ultrapassar o plano da adaptação? Qual é a fonte da sua abertura excepcional à incógnita absoluta dos objetos virtuais? Em que escarpa virtuosa realiza-se o triunfo sobre o mecanismo e a necessidade? Como o compasso acertado entre a inteligência e a atividade funcional se dobra a plasticidade de uma forma imprevisível? De que modo a linha do homem se mostra capaz de “baralhar os planos”, dando passagem ao impulso vital que lhe atravessa no rumo de uma “direção aberta”?
Benivaldo do Nascimento Junior
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